| Prof. Dr. Benno João Lermen
Um dado relevante para a pesquisa da Família Werle
Pesquisando as listas de imigrantes alemães que chegaram ao Rio Grande do Sul, encontram-se dois registros que merecem a atenção dos interessados na pesquisa da Família Werle: 1. O códice 333 registra à página 049, nn. 27-32, como passageiros da sumaca Argelino, chegada a Porto Alegre aos 17.04.1826, os 6 membros da Família Werle (pais: Jacob e Elisabeth; filhos: Maria Catharina, Andreas, Valentin e Anna Maria) 2. O mesmo códice 333 registra à página 129, nn. 58-63, como passageiros do brigue escuna Florinda, chegado a Porto Alegre aos 22.5.1829, os 6 membros da Família Bohnenberger (pais: Abraham e Elisabeth Werle; filhos: Andreas Friedrich, Jacob, Abraham, Nicolau)
É importante observar que a viagem da Família Bohnenberger teve um contratempo enorme durante a viagem. Eles haviam embarcado em 1826 no veleiro Cecilia. Quando este navegava ao longo da costa inglesa, foi atingido por uma forte tempestade. O capitão, dando a embarcação como perdida, safou-se num bote salva-vidas, deixando a leva de emigrantes entregues à própria sorte. Estes deliberaram cortar os mastros. O navio aprumou novamente, mas andou perdido por duas a três semanas, até que um outro barco o vislumbrou, e foi rebocado até o porto de Plymouth, no sul da Inglaterra. Não tendo como continuar viagem, os imigrantes alemães viveram entregues à própria sorte, por mais de dois anos... A situação se resolveu, mediante negociações diplomáticas entre o Brasil e a Inglaterra, e também, mediante uma significativa ajuda financeira do principado de Oldenburgo, donde provinha boa parte dos imigrantes. (A região de Birkenfeld, Idar-Oberstein, Baumholder, etc. era um enclave de terras pertencentes ao principado de Oldenburgo).
Para a história da Família Werle deve ser motivo de orgulho a peripécia praticada pela “Frau Bohnenberger”, diga Elisabeth Werle: Certo dia, semanas após o naufrágio, ela e várias outras mulheres imigrantes estavam na beira da praia, lavando roupas. Eis que a “Frau Bohnenberger” vislumbra o capitão fujão do veleiro Cecília. E sem titubear, precipita-se sobre o covarde, com um açoite feito com roupa molhada... Todas as mulheres lhe seguiram o exemplo. Naquele dia o capitão aprendeu o que era levar uma surra aplicada por mulheres lavando roupas...Quem conta esta proeza da “handfeste Frau Bohnenberger”, aliás Elisabeth Werle, é o Padre Amstad, no livro “Hundert Jahre Deutschtum im Rio Grande do Sul”, p.65-66.
Elisabeth Werle nascera em 1792 e faleceu aos 25.5.1875 em São José do Hortêncio. O lugar de nascimento dela teria sido Niederalben, região de Baumholder. O marido, Abraham Bohnenberger também nascera em Niederalben. Os filhos do casal nasceram em Offenbach, ali pertinho. Não se trata da localidade de Offenbach, próxima de Frankfurt.
Minha pergunta: seria a Elisabeth, talvez, irmã do Jacob Werle?
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